Os períodos que antecedem uma viagem são dúbios. Tanto sou assaltada por uma euforia repentina, como acordo a meio de um pesadelo em que vou parar a uma prisão algures num país Asiático ou estou no meio da selva a fugir de animais selvagens. São muitos os perigos e os riscos associados a uma aventura sem regras nem padrões pré-definidos.
Dou por mim a pensar nos motivos que me levaram a considerar esta hipótese. Qual o momento da verdadeira tomada de decisão, aquele ponto de viragem a partir do qual já não podia voltar atrás?
Acredito que na vida nada acontece por acaso. Uma série de infortúnios podem levar uma pessoa menos acomodada a lutar para mudar de vida. Mesmo não me podendo considerar “infortunada”, visto que a minha vida tem vindo a seguir o rumo que muitas pessoas consideram normal, o simples facto de não estar satisfeita com aquilo que encontrei nos últimos 2 anos é motivo suficiente para procurar um ponto de ruptura.
Talvez seja por olhar à volta no meu posto de trabalho e encontrar pessoas que encaram a vida como se tudo estivesse a descoberto, ansiando que o dia de amanhã seja simplesmente igual ao de hoje. Ou talvez se deva à pressão da sociedade, que me indica que depois de arranjar trabalho, o que aconteceu há sensivelmente 2 anos atrás, o passo seguinte seria arranjar um companheiro, casar, ter filhos, e viver para sustentar essa vida dentro dos padrões globalmente aceites. Quero isso tudo, não o nego. Mas não o quero neste instante. Afinal, como posso mostrar o Mundo a uma criança se nem eu própria o conheço por dentro, ou como poderei ensinar alguém a viver se ainda não tracei o meu próprio caminho? Talvez se deva, ainda, ao facto de ter tido uma série de relações”falhadas”, as quais não seguiram o rumo que desejava, o que me foi enfraquecendo psicologicamente ao longo do tempo, considerando que talvez o problema estivesse na minha abordagem ou naquilo que exijo das pessoas. No geral, talvez seja apenas uma questão de gestão de expectativas.
Expectativas para esta viagem? Não tenho…