segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Um mês?

Tal como a Ana diria "Passou um mês e..." :) Passou um mês que pareceu uma eternidade. Portugal está agora bem longe, e tudo volta sempre a Buenos Aires.

Rio foi uma experiência diferente do resto da viagem até ao momento. Poder experienciar o dia-a-dia numa casa humilde mesmo em frente a uma favela, ouvindo histórias e relatos de acontecimentos "macabros" ocorridos nas redondezas, foram factos que reduziram os meus níveis de segurança para valores próximos de zero. Acabei por estar segura, mesmo arriscando mais do que tinha consciência. Fica a manhã de praia em Copacabana, a tarde passada no Pão de Açúcar (embora sózinha, senti-me preenchida com a beleza da cidade), a noite na Lapa com o Vítor (na qual percorri a pé o trilho do caminho do eléctrico que já não se encontra em circulação devido a um acidente, um percurso aparentemente perigoso, principalmente de madrugada), o dia passado com os amigos da Márcia para lá de Ipanema, o dia no shopping (chuva!), e, principalmente, a tarde mágica no Cristo Redentor e a longa conversa com o Vicente. Encontros e desencontros da vida que me mostram que aquilo que temos é, unicamente, o "agora". E, por todos os motivos do mundo, fica a família da Márcia, que me fez sentir, em todos os instantes, como se fizesse parte deles. Quando estamos longe, fora da nossa zona de conforto, conseguimos, de facto, avaliar melhor as pessoas com quem nos cruzamos.

Uruguay, local onde conheci 2 pessoas fantásticas com quem me irei cruzar daqui por umas semanas/meses. No barco entre Colónia e Buenos Aires, logo após o meu primeiro pequeno assalto, apercebi-me que ainda estou muito presa à "importância" que dou aos bens materiais e à noção de tempo. As malas mantém-se presas ao meu corpo e agora compreendo bem a questão de "quanto mais coisas levas, mais tens que carregar contigo". A ideia da mochila assusta-me cada vez mais. Tempo.. o facto de continuar a sentir que tenho 1001 coisas para fazer, embora a maioria delas sejam de componente "lúdica", não me permitem libertar-me e aproveitar os momentos como espero vir a aproveitar no futuro. Bens materiais e tempo... regresso a Portugal quando passarem ao lado da minha vida.

Pessoas! Muitas pessoas por aqui, muitas histórias para contar. Pessoas que me têm feito reviver histórias passadas em curtos espaços de tempo. Acima de tudo, pessoas que têm revelado o melhor e pior que existe dentro de mim, mostrando-me que os meus receios ainda não se desvaneceram, antes pelo contrário, estão mais presentes que nunca.

Um mês... saldo mais que positivo!

1 comentário:

  1. "Our freedom can be measured by the number of things we can walk away from…" Vernon Howard.
    :)

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